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Medo da violência faz aumentar a procura por carros blindados, inclusive usados

Medo da violência faz aumentar a procura por carros blindados, inclusive usados

Frota no Rio cresceu 373% em cinco anos, e, nos últimos oito meses, Detran emitiu 1.772 registros

RIO — Ter um veículo blindado foi, por muito tempo, um luxo para poucos no Rio. No entanto, a escalada da violência vem provocando uma mudança de cenário: carros à prova de bala passaram a ser comprados em maior quantidade pela classe média, que, muitas vezes, opta por equipar automóveis usados. Um levantamento do Detran aponta que 12.101 veículos desse tipo circulam pelo estado. Cinco anos atrás, eram 2.554 nas ruas. E o Exército, que concede as permissões para o reforço de vidros e carrocerias, já deu 1.382 licenças nos últimos oito meses — duas a mais que o total registrado ao longo de 2017.

Segundo o Detran, entre 2010 e 2017, a quantidade anual de novos registros de veículos blindados no estado saltou 469% (de 423 para 2.408 unidades). De janeiro a agosto de 2018, 1.772 automóveis com proteção contra tiros foram inseridos no sistema de dados do órgão (parte deles recebeu a autorização do Exército no ano passado). O comerciante Alan Sathler, de 38 anos, ajudou a aumentar a estatística. Depois de ter uma Ford Ranger 2016 roubada a caminho de um shopping em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, ele resolveu investir num veículo blindado; no caso, um Toyota Corolla 2009.

— Eu estava com a minha família quando o crime aconteceu, numa tarde de domingo. Fomos abordados por três homens armados, que levaram a caminhonete e outros pertences. Ficamos expostos a um risco muito grande, e senti a necessidade de contar com mais segurança no ir e vir — afirmou Sathler.

APÓS SUSTO, PROTEÇÃO

O analista de sistemas Rômulo Barroso, de 53 anos, fez o mesmo após viver uma situação desesperadora. No dia de seu aniversário, ele e a mulher buscaram os filhos no colégio para uma comemoração e, no Túnel Velho, que liga Botafogo a Copacabana, a família foi surpreendida por uma perseguição seguida de tiroteio.

— Ver, ao lado da mulher e dos filhos, uma troca de tiros foi terrível. Hoje, não abro mão da blindagem — disse Barroso, que equipou um Citroën C4 usado.

Já o executivo Marcos Toledo, de 34 anos, decidiu comprar um carro blindado quando, por conta do trabalho, teve de trocar São Paulo pelo Rio e foi alertado por amigos dos riscos que corria.

— Paguei R$ 75 mil num Mitsubishi ASX 2012, blindado. Com esse valor, poderia comprar um carro mais novo, mas nada paga a sensação de estar protegido. Moro na Barra e preciso passar sempre pela Linha Vermelha — argumentou Toledo.

Segundo especialistas, além dos altos índices de violência, o avanço da tecnologia está por trás do aumento da procura por veículos à prova de bala no Rio. Feita com material mais leve que o usado até o início desta década, a blindagem resistente a disparos de revólveres, pistolas e submetralhadoras já pode ser aplicada em diversos modelos de carros com motor 1.6.

BUSCA DEVE CRESCER MAIS

Hoje, o preço da blindagem de um automóvel gira em torno de R$ 53 mil, considerando o tipo III-A, o mais alto nível permitido para civis.

— Muitas pessoas compram carros mais baratos e reservam um valor para a blindagem — afirma Lucy Dobbin, diretora da MF4 blindados, que vem reforçando uma média de 25 veículos por mês, três a mais que o registrado ao longo do ano passado.

A Associação Brasileira dos Blindadores Veiculares (Abrablin) projeta, para este ano, um crescimento de 25% nos serviços em todo o Estado do Rio. No ano passado, de acordo com a entidade, foram quase 1.300.

 

* Estagiária, sob a supervisão da chefe de reportagem Leila Youssef


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